Coordenador : José Renato Sant'anna Porto
Ano: 2020
Publico Alvo : O projeto envolveu moradores das comunidades de Bananal e Matariz, na Ilha Grande, Angra dos Reis. Teve como público prioritário os estudantes de primeiro segmento da Escola Municipal Brasil dos Reis, que participaram das atividades e estabeleceram diálogos com outros moradores da ilha, em especial agricultores e agricultoras de Matariz e Bananal. O projeto envolveu também estudantes e professores do Instituto de Educação de Angra dos Reis, dos cursos de Políticas Públicas e Geografia, que mantem relação com o Núcleo de Estudos em Agroecologia (NEA).
Local de atuação: DGP
Resumo
Esse projeto objetiva incentivar a agricultura tradicional caiçara nas vilas Bananal e Matariz, na Ilha Grande, município de Angra dos Reis - RJ. A agricultura é parte fundamental do modo de vida caiçara. Juntamente com a pesca artesanal, possui um papel estratégico na garantia de segurança alimentar dessas comunidades, que vivem em locais remotos, de difícil acesso. De todo modo, as práticas agrícolas tradicionais foram sendo fragilizadas, o que, em linhas gerais, é resultado de dois processos históricos. Em primeiro lugar, temos as políticas ambientais repressivas, que restringiram de forma determinante o cultivo da terra. Desde os anos 1990, a criação do Parque Estadual da Ilha Grande - PEIG desempenhou importante papel na preservação dos ambientes naturais. Por outro lado, o parque obedeceu critérios arbitrários, ignorando a cultura local, historicamente vinculada à agricultura tradicional. Em segundo lugar, cabe também destacar a influência do turismo na Ilha, que se intensifica ano a ano e também opera como elemento desagregador das atividades agrícolas tradicionais nas vilas caiçaras. O presente projeto tem como proposta promover o diálogo de gerações nas comunidades de Bananal e Matariz, com foco na valorização dos conhecimentos tradicionais sobre alimentação e agricultura. Metodologicamente, as atividades serão organizadas em ambientes de aprendizagem coletiva e de troca de saberes, partindo dos ambientes escolares, mas tomando o território como espaço para realização das ações pedagógicas, como, por exemplo, os mutirões, as vivências e as oficinas, tomando a agroecologia, a alimentação e a cultura popular como eixos temáticos orientadores e estruturantes do projeto.